quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Grande Barbosa

                                                
Sábado, dia 28/09, um show imperdível com Antonio Barbosa - CORDAS E CORDAS.



O músico estará fazendo clássicos da música brasileira e internacional com seu violão, guitarra e o tradicional piano do Teatro Municipal Elza Munerato

O evento começa as 21 horas e os convites estão R$ 20,00

Quando eu ouço o Barbosa tocar, o magnetismo que o som dele passa é uma coisa inexplicável. Convivi bastante com ele na época que trabalhei na Secretaria de Cultura. Já dei muita risada com as frases e expressões  como “Belo Jeans hein”, referindo-se a uma moça que passou com uma calça jeans ao seu lado.

A   primeira vez que vi ele tocar foi em uma Jam no Woodstock em evento da Cultura. E vi de acordo mesmo foi em uma mesa do Villa Jahu depois do show do Pena Branca no final de 2.010. Ai sim eu vi a monstruosidade do cara.  Tudo o que eu pedia ele puxava. Barbosa toca Beatles e ele mandava um instrumental do Here, There And Everywhere. Barbosa toca um Pena Branca, ele puxava um Cuitelinho. Eu não acreditava.

O Blog aproveita que tem o show de sábado dele e presta uma homenagem ao  músico através de depoimentos de músicos e amigos dele. Confira

                                                
                                                                    Fabio Lopes  
                                         Para ele, não existem fronteiras na música”



Alguns meses atrás fui com o Barbosa no Gulana bar. Era uma segunda feira. Sempre as segundas o proprietário do bar coloca música raiz para seus clientes.

Pois bem, estávamos ali, eu e Barbosa, conversando e ouvindo as belas modas de viola.

Eis que somos convidados para dar uma canja. Eu vou no contrabaixo, toco algumas músicas e volto a mesa. Barbosa vai até os músicos e pega o violão.

Para a surpresa de todos ele toca um arranjo maravilhoso, muito provavelmente feito na hora. Chico Mineiro, pois é, a velha e super conhecida moda.

Todos nós ficamos boquiabertos e perplexos diante de tamanha versatilidade e genialidade do grande Barbosa. Para ele, não existem fronteiras na música.


                                                  Bia Coletti
“Ele é um mestre, ele tá aqui agora, dedilhando o violão todo empolgado com as idéias pro show”



Que bacana falar do Barbosa, sou fã desse figura, a primeira pessoa que me falou desse ébano maravilhoso, foi o Carlão, vulgo Carça...rs

Na época eu tava começando a fazer baile e nunca cruzava com ele, até que um dia assistindo um show na Estação do Som, da Daniela Ressinette, um show delicioso em que ela cantava uns sambas lindos, saímos de lá e caímos no Calzone, quem estava por lá, aê, Barbosíssimo...rs

Foi massa, ele tava tocando com o Fábio Lopes, cantei umas musiquinhas toda nervosa e conversamos um pouquinho, depois não encontrei mais ele. Sempre ouvia falar dele tocando com a Baixa por ae, eu tava sempre viajando, e nunca podia ir, quando parei com a noite e trampando aqui na loja, ele começou a vir aqui, ficamos amigos, ele me convidou pra dar uma canjinha num sábado na praça, eu com a voz toda esfolada, fui mesmo assim e foi muito legal....rs

Pra mim esse dia foi uma realização pessoal, é muito gostoso cantarolar com esse músico incrível, o que você pede pra ele, mesmo ele não conhecendo, ele toca, é uma honra ter ele como amigo, aprender todo dia um pouquinho da vida e dessa maravilha que é a música, ele é um mestre, ele tá aqui agora, dedilhando o violão todo empolgado com as idéias pro show, vai ser lindo, Viva o Baba...............\o/


                                                 Carlos Francisquini
                    “Barbosa, um grande músico e uma grande alma também”



Já o admirava mesmo antes de conhecê-lo, há uns 20 anos atrás, porque todos os comentários a respeito dele era só elogios.

Quem o me apresentou foi o Tido do Memphis, ali na ponte da Major, lembro que ele estava preocupado com os vãos existentes na calçada, que dava pra ver o rio passando lá em baixo rsss, e tive a prazer de tocar com ele pela primeira vez lá em Dois Córregos, o que me deixou ainda mais fã dele, não só pela pessoa extremamente educada e divertida, como também pela sua genialidade e competência musical.

Barbosa, um grande músico e uma grande alma também.

                                                                  Paulo Zen
                          “  Daí a pouco chega o Barbosa com o arranjo pronto, escrito por ele”



Nos anos 80  fui tocar no casamento de um amigo em Dois Corregos-SP. Como o casamento era em um Clube, ao ar livre, levei minha clarineta e o noivo falou pra eu ficar tranqüilo que lá haveria um músico para me acompanhar.

Foi assim que conheci o Barbosa. Tocamos várias músicas no casamento, tudo “de prima”, inclusive clássicos como “Ária da quarta corda de Bach” e Sinfonia da Cantata” e por aí vai.

Em outra passagem, estávamos em São Paulo para a gravação de uma música que ganhara um boa colocação em um Festival promovida pela Secretaria de Cultura de São Paulo. Lá estava eu com minha flauta e não tinha nem idéia do que eu iria tocar.

Eis que surge quem? Barbosa (Ele simplesmente aparecia).
– Zen, o que você vai fazer na introdução da música?
 – Sei lá, Barbosa. To pensando ainda.
– Peraí... Daí a pouco chega o Barbosa com o arranjo pronto, escrito por ele.

Toquei como ele escreveu, sem por nem tirar. Ficou ótimo! Ele é o cara!


                                                             Guilherme Gambarini

“O Barbosa é gente muito boa, um músico extraordinário, dispensa qualquer comentário”



Conheço ele através do André Galvão, que na época era Secretário de Cultura aqui em Jau.

Barbosa toca no Villa Jahu desde aquela época, faz solos e acompanha outros músicos na noite do bar. Tanto no teclado, contra baixo, violão ou guitarra, não faltam elogios entre nós, donos, funcionários e clientes. É realmente um monstro no que faz.

Me lembro de um fato lá no Villa, em que um amigo meu, guitarrista e também musico renomado, que tocou com ícones, com, Peninha, Gilberto Gil, Jessé, Belchior, Guilherme Arantes, Aguinaldo Rayol, Alaíde Costa, Lula Barbosa, entre outros, me falou?

Guilherme vc sabe o tamanho do talento desse homem? Eu, dentro das minhas limitações respondi. Imagino. 
Meu amigo rebateu, Vi poucos iguais ao Barbosa, para mim foi uma surpresa, é um monstro!!!


                                                       André Galvão
Antonio Barboza é uma virtuose da música brasileira que o destino colocou na cidade de Jahu.



Antonio Barboza é uma virtuose da música brasileira que o destino colocou na cidade de Jahu.
Como aqueles malditos do jazz, circulou pela boemia carioca, paulistana, londrinense sempre bem acompanhado: Alaíde Costa, Johnny Alf, Guilherme Vergueiro, Amado Maita e toda uma nata de feras que habitaram o eixo Rio/SP tocando a MPB com toque do jazz e uma bossa.

Trouxe o músico para tocar na Pizzaria Fornalha todas as sexta e sábados, pois infelizmente o espaço para música de qualidade é restrito não só em Jahu como no Brasil.


      
                                                     Edinho Calciolari
                                 " Faltaram teclas, pois o piano ficou pequeno"



Acho interessante relatar o que vivenciei com ele a umas semanas atrás no Vila.
O Lady tocava no Villa, quando no final de nossa apresentação, já todos saindo dos seus instrumentos, pinta o Barbosa e pede para o Juninho  tocar no seu piano ( nem sei se pediu ou já sentou e saiu tocando...rs).
Faltaram teclas, pois o piano ficou pequeno, além de sua genialidade o que me chamou atenção foi o som que ele estava tirando, não reconheci de imediato, só a melodia era um pouco familiar.
Quando ele terminou, fui falar sobre o som que ele havia tocado e p minha surpresa ele emendou: É Scorpions ( still loving you) ), então além do grande músico talentoso, ele se preocupou com o estilo de música que estávamos tocando e para não "destoar" tocou um clássico desta banda.

E para meu delírio ele emendou " Só sei essa ..." ahahahahahahah


                                                 Fernando Lazzari
        “Ficava fascinado vendo aquelas mãos ágeis e ao  mesmo tempo precisas”



Conheci o Barbosa em 1986. Foi ele quem me ensinou os primeiros acordes no violão, numa escola de música chamada "Studium".

Ficava fascinado vendo aquelas mãos ágeis e ao  mesmo tempo precisas, montando acordes difíceis e harmonias complexas.

Seu jeito peculiar de cantar e sua bela voz casavam muito bem com todo o som que saia de dentro do violão!

Para mim foi um ano muito especial por ter estudado com um artista tão talentoso e acima de tudo uma pessoa maravilhosa! Tenho certeza de que o show de sábado será histórico! Imperdível.


                                                           Thiago Gonçalves
“Fiquei pasmo quando ele fez todos os arranjos do piano no violão, de maneira fácil e natural”



Uma das vezes que mais fiquei impressionado com o Barbosa foi quando acompanhamos um cantor e ele foi ao piano.

Em um dos ensaios para o Show, fomos ensaiar na estação mas o piano estava desafinado e o teclado sem fonte de alimentação.

Nesse dia ele resolveu ensaiar no violão e foi aí que eu fiquei pasmo quando ele fez todos os arranjos do piano no violão, de maneira fácil e natural, pois certas montagens de acordes são bem mais complexas no violão. Sensacional!


                                                                  Paulo Pin
“Eis que uma noite, no Zero Grau, vejo o cara tocando e entendi que ele era um fera da música”


Há muito tempo atrás, o Matahare ensaiava na baixada do Galvão, e sempre passava esse cara e parava na janela e no intervalo das músicas comentava uma coisa ou outra sobre o som dos então novatos músicos. E eu não sabia quem era o figura.

Eis que uma noite, no Zero Grau, vejo o cara tocando e entendi que ele era um fera da música, tocava muito, e que, pelo altíssimo nível musical que ele pertencia, era bastante generoso nos comentários que tecia sobre molecada que estava começando a tocar.

BARBOSA É FERA, BICHO!



                                                              Andréia Santos
         “Durante o show, o mestre mencionava o nome do Barbosa o tempo todo”



Tem muitos fatos marcantes com o Barbosa, o mais marcante foi no show do Hermeto Paschoal em Jaú. Durante o show, o mestre mencionava o nome do Barbosa o tempo todo e num determinado momento de suas inumeras improvisações , ele fez uma interação com a platéia na qual mencionava o nome do Barbosa(conhecidos de longa data..)

Achei uma justa homenagem a esse grande Músico!!!


                                                                     Paulo Dadamus
“Penso que vou levar a vida toda pra entender a sua musicalidade e agradeço muito a Deus por te-lo conhecido”



O Barbosa tem um significado muito importante na minha vida e na minha história musical viajamos e tocamos muito, juntos. Penso que vou levar a vida toda pra entender a sua musicalidade e agradeço muito a Deus por te-lo conhecido.

São inúmeros os casos até engraçados com o Barbosa.

Fomos juntos comprar uma calça em uma loja e a balconista não estava entendendo nada que ele falava disse a ela para ter calma que ele era jamaicano e eu o tradutor, que ela falasse comigo que eu traduzia para ela. A moça está sem entender nada até hoje.

Peço a Deus que abençoe ele e quebre tudo no show.



                      TODOS NÓS DESEJAMOS ISSO, SORTE PRA TI BARBOSA 







quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ed Sullivan Show - Apresentador de Sorte


Todo  mundo tem o seu Silvio Santos ou um Chacrinha ou um apresentador ou programa onde as atrações artísticas, ídolos pops de entretenimento de uma  época se apresentam.

Mas quando você tem um programa em uma metrópole como Nova York e em uma época áurea da música, a coisa muda bem de figura.

De 1.948 até 1.971 existia um cara nos States chamado Ed Sullivan. Esse apresentador multi-mídia tinha um programa homônimo - o Ed Sullivan Show - TV CBS.



O programa era basicamente de entretenimento. Tinha música, dança, humor, teatro. Era o Domingão do Faustão da época.

Só que a época do Ed Sullivan era os anos 50, 60 e 70, em New York, nos Estados Unidos da América.

Não precisa falar mais nada.



Antes do programa, o apresentador foi repórter esportivo e colunista de fofoca de entretenimento.

Ed Sullivan também foi roteirista de musicais, mestre de cerimônias de programas militares de arrecadações, mas ele acertou na veia quando virou apresentador de programas de tv da época que estava engatinhando até por lá.



Surgido após a Segunda Guerra Mundial, o programa começou em 1.948 como Toast of The Town. Mas o sucesso foi tão estrondoroso que a partir de 1.955 se tornou Ed Sullivan Show.



Nesses mais de trinta anos, estrelas do cinema como Judy Garland, Richard Pryor, Kirk Douglas, Paul Newman, Charlton Heston, Walt Disney,Tony Curtis, Robert Mitchum, Marlon Brando, Marylin Monroe, Jiulie Andrews, Lauren Baccal, Jerry Lewis, Grace Kelly, Gary Cooper, Fred Astaire,  Audrey Hepburn, Liz Taylor entre outros..







Bandas mundiais como The Beach Boys, Jerry Lee Lewis, Mamas e The Papas, Doors, Creedence, Janis Joplin, Carpenters, Animals, Byrd, The Band, Santana, Roy Orbinson, Paul Anka, Jhonny Rivers,  Buddy Holly, Buddy Rich, Billy Preston, B.J. Tomas, Bill Haley e muito mais ,

 




Monstros da black music como B.B Kyng, .James Brown, Ray Charles, Stevie Wonder, Jackson Five, Tina Turner;




E divas como Edith Piaf, Ella Fitzgerald, Maria Callas, Sarah Vaughan, etc...




A música brasileira esteve presente no programa com Astrud Gilberto cantando Girl from Ipanema em 1.970.



E nada mais nada menos do que Elvis, Stones e Beatles.



Nos programas mais vistos: Beach Boys com Good Vibrations, Bill Halley and the Comets com Rock Around the Clock, Doors com Light My Fire,  participações dos Stones, The Supreme, Jackson Five com I Want Back e a participação de Elvis em 1.956.





E a maior audiência foi em 1.964. Mais de 70 milhões de americanos pararam para ver Beatles se apresentarem. Marca esta somente batida com a chegada do homem a Lua em 1.969.

Foram cinco músicas apenas (ll My LovingTill There Was YouShe Loves You, I Saw Her Standing There e I Want To Hold Your Hand) mas  serviu para a consolidar o Fab Four na América.



Clique aqui nesta matéria e veja história desta apresentação
http://veja.abril.com.br/historia/beatles-beatlemania-1964/show-ed-sullivan-tv-conquista-america.shtml

A favor dos Movimentos dos Direitos Civis, Ed Sullivan lutou bravamente para ter artistas negros em seu programa e acabou criando inimigos americanos por ter colocado em seu palco atrações como Louis Armstrong, Supremes, Marvin Gaye, Richie Heavens, Nat King Cole, Sammy Davis Junior.

Após os três anos do fim do programa (mesmo com altos níveis de audiência), Ed Sullivan morreu em 1.974, vítima de um câncer no esôfago.

Os apresentadores de entretenimento atuais não tiveram a sorte grande de Ed.

Ter um programa de apresentações artísticas nas décadas de 50, 60 e 70 nos Estados Unidos da América, centro de entretenimento mundial.



Acompanhe alguns vídeos marcantes do programa ED SULLIVAN SHOW !!











                                                 



                                       



                                               
                                         

                                       



   






terça-feira, 17 de setembro de 2013

“O Menino que reclamava de barriga cheia”

O ano era 1.976.

O menino caminhava pelas ruas de Buenos Aires. Com seus doze anos de idade, o menino estava triste porque seu pai, um militar que trabalhava para o governo do seu país, tinha recusado a compra de um novo tênis, e um carro miniatura da época.

Uma mistura de tristeza, angústia e raiva do pai que tinha negado o seu pedido. Já eram quase dez horas da noite, e  o moleque já estava há uma dez quadras de sua casa, que ficava em um bairro bom, de classe média da cidade.

No momento, ele estava em um bairro periférico. Quando começa a ouvir gritos de crianças e adultos, barulhos que entravam no seu ouvido como se fosse um tapa de mão aberta.

O menino se esconde e na frente da casa, um carro com os mesmos escritos que tinha no carro de seu pai.

Na hora, sai um casal  e um bebê. O casal fora levado a um beco sem saída na rua ao lado. Vários tiros precedidos de um silêncio ensurdecedor... O bebê é levado para dentro do carro. Todos entram no veículo e aceleram como se tivessem no Autódromo Oscar Alfredo Galvez.

O menino assustado se aproxima da casa, vai para o beco e não vê nenhum corpo, só várias poças que no escuro não conseguia distinguir o que era.

O moleque sai rapidamente do beco e dentro de uma latão de lixo ouve um barulho de choro bem baixinho, bem baixinho.  O menino se aproxima e sussurra Só estou eu aqui”. 

Após 30 segundos, dentro da lata levanta uma menina, cabelo loiro com olhos verdes lacrimejantes. A menina olhava para o menino, aquele olho esverdeado penetrava na cabeça do moleque como se fosse uma agulha, como se eles falassem e perguntassem para ele  “O que fizeram com a minha família, cadê minha irmã, os tiros foram contra meus pais? “.  

No mesmo momento, o menino vê um carro parecido com o seu pai de novo. Ele enfia a cabeça da menina dentro da sala de lixo e sai  correndo do beco. Três quarteirões do beco, estava seu próprio pai procurando que nem louco ele.

O menino olha para o pai, que estava com as mesmas vestimentas daqueles homens no beco, e só consegue enxergar o olho verde daquela menina dentro da lata de lixo.

O moleque volta para a casa quieto.

Na hora, veio  aquela sensação, que até uma criança de 12 anos poderia perceber. Como ele poderia, momentos antes, estar reclamando porque não tinha conseguido um tênis e aquela menina perdido nada mais nada menos do que toda sua família.

O menino na inocência e pureza dos seus doze anos sentia uma tristeza tão grande e uma sensação de raiva dele mesmo por estar preocupado com o brinquedo que o pai negara no mesmo dia que tinham sumido com a família da menina do lixo .

Depois daquele dia, o menino nunca mais reclamaria de barriga cheia.

O menino foi crescendo e percebendo o que realmente seu pai fazia e para quem realmente trabalhava.  E aos poucos foi se distanciando da sua família. Sem briga, sem alarde. Mudou para a Europa, se formou jornalista e virou correspondente esportivo do Clarin. 

Nove anos depois do acontecido no beco, recebe o telefone da sua mãe comunicando o falecimento de seu pai. O ano era 1.985 e o menino já era um rapaz que tinha encontrado uma bióloga espanhola e tinha casado em Madrid.

Após uma semana do funeral do seu pai,  ele e sua esposa resolvem ir ao cinema. Em cartaz, La História Oficial.



O filme argentino, que estava na sua  estréia em seu país, contava  a história de uma professora da classe média argentina que descobre que a criança que tinha adotado poderia ser filho de presos militares da ditadura sanguinária da Argentina e do Cone Sul.

O desfecho do filme, que ganhou Oscar de Melhor Filme Estrangeiro daquele ano, é a menina que havia morado a vida inteira com o casal, ligado ao governo militar, acaba encontrando sua avó biológica em uma manifestação das Mães da Praça de Maio, entidade formada por mulheres que se reuniam na Praça de Maio exigindo notícias de seus filhos e netos desaparecidos na época da ditadura militar.  



Saindo da sala de cinema, muita gente se abraçando, famílias reunidas emocionadas. Afinal, era a semana da estréia do filme  no país, após um ano do fim da ditadura.

O rapaz e sua esposa  chamam um táxi e adentrando ao carro, ele olha para o seu lado direito e vê entrando no táxi ao lado uma menina loirinha de aproximadamente nove anos.

E ele olha para cima, uma moça com o cabelo bem curto, loiro mas com um olho que ele reconheceria mesmo estando com um grau máximo de miopia. Aquele olho verde da lata de lixo. A moça, nove anos mais velha, diferente, mas o olho inigualavelmente igual.

Ela olha para ele atentamente, abre um sorrisso e acena a cabeça para a baixo e para cima, com um sinal positivo e como se tivesse dizendo sem dizer, como dentro do latão de lixo, "No final deu tudo certo". E entra no carro.

Aquele jornalista se desembesta de chorar. A esposa não entende nada. Na mesma hora, ele pede para o taxista leva-los ao beco onde tudo tinha acontecido no ano de 1.976, para contar a história para a sua companheira.

História esta que o levou a pensar e levar a vida completamente diferente, a dar mais valor as coisas do coração, sem se importar tanto aos bens materiais ou dar o tamanho necessário do valor que os bens materiais precisam ter dentro da vida de cada um.

É, depois daquele beco, daquela menina de olhos verdes, o menino virou homem e não reclamou mais de barriga cheia.  E contou esta história para todos os seus três filhos.

E aquela menina de olhos verdes achou sua irmã no final da ditadura, em 1.984, e atualmente vivem felizes na democracia de Buenos Aires.

E no final, deu tudo certo para as duas crianças daquele beco de 1.976.
_________________________________________________________________________________

Este provavelmente seja  o primeiro texto narrativo no blog envolvendo personagens que não são reais, mesmo se tratando de momentos históricos que aconteceram como sumiço de crianças na época da ditadura militar do Cone Sul, a existência do trabalho das Mães da Praça de Maio e o filme La Historia Oficial . 

A história é dedicada a recuperação de Renan Suconic Resende que sofreu um grave acidente na madrugada de sexta e que está lutando para se recuperar. É que peguei várias  pessoas reclamando da vida hoje (inclusive eu) e ele na Santa Casa numa luta enorme para recuperar a vida.

Força TG

_________________________________________________________________________________

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Blog entrevista Theodoro Reis


     "Estamos muito felizes de fazer a estreia no interior “em casa”. Não poderia ser mais apropriado para o projeto: os filhos tocando as músicas do pai na cidade do avô."




O Blog tem o prazer de conversar com o músico Theodoro Reis. Theo, juntamente com o seu irmão Sebá Reis, formam o 2 REIS que tocam composições do pai, que é nada mais nada menos que  Nando Reis.

Os 2 Reis e o próprio Nando tem uma forte ligação com nossa cidade uma vez que a Família Gomes dos Reis, seus avôs paternos são nascidos aqui em Jaú.




Acompanhe o bate papo com Theodoro Reis:

Fala Theo, tudo bem? Provavelmente a música sempre caminhou contigo, mas quando ela realmente despertou para ti como um meio de vida, para sair na estrada tocando?

Olá Wilson e amigos do blog! Bom, desde criança sempre tive o hábito de acompanhar meu pai nos shows dos Titãs, viajava com ele em algumas turnês e acompanhava as apresentações ao lado do palco. Em casa eu gostava de brincar de banda com os amigos, colocava um disco pra tocar e fazíamos playback fingindo que as vassouras eram guitarras. Então a música sempre esteve pra mim como um caminho possível e instigante, mas acho que foi na adolescência que comecei a abrir minha trilha. É um caminho árduo em termos profissionais e financeiros, bastante difícil e um tanto quanto incerto. Mas certas coisas na vida não fazemos por uma opção racional e sim por uma necessidade de dar vazão a alma e vivenciar a plenamente a vida. Pra mim a música está nesse campo.


Antes do  2 Reis, quais foram os projetos com banda que você já teve?



Cheguei a ter algumas bandas de curta duração na escola, era mais uma brincadeira de inventar músicas do que propriamente um trabalho de compor, arranjar e ensaiar seriamente. Depois, no ensino médio, formei o Zafenate, conjunto que mistura reggae, rock e rap e que está na ativa até hoje. Em 2011 lançamos um disco e ficamos trabalhando ele até o ano passado. Nesse momento estamos tirando um período sabático enquanto tocamos outras frentes. Tenho também um trabalho voltado para músicas infantis e folclóricas com o Trio Rapadura.

Já teve algum projeto com o irmão Sebastião?



Não. Essa é a primeira vez que a gente toca uma empreitada dessa magnitude juntos.

Como e porque foi concebido o 2 Reis? Partiu de quem a idéia?

Desde que meu irmão voltou a tocar violão ha uns dois anos atrás, ele começou a aprender muitas músicas do meu pai, e eu que até tento mas não toco muito, me juntei a ele cantando. Com o tempo começamos a acompanhar meu pai em algumas apresentações fazendo sempre uma participação em duas ou três músicas durante o show. Daí no começo desse ano foi que eu propus ao Sebastião que montássemos uma banda pra tocar aquelas músicas de meu pai que a gente gosta mas que ele não toca nos shows. Pois ele tem muitas composições e nunca cabem todas em um set list.



Como ocorreu a formação dos integrantes da  banda que acompanha vocês dois?

Assim que decidimos por tocar o projeto fomos atrás dos amigos que são músicos e que estavam na disposição de encarar esse desafio. O guitarrista é o Guizibi, que toca no Pizza Punk, estudou na mesma escola que a gente e é amigo de longa data da minha irmã Sophia, eles inclusive tinham uma banda juntos. O baixo quem toca é o Gariba, baixista do Filhos da Terra, banda de reggae do Taboão da Serra parceira de longa data do Zafenate. O tecladista é o Pedro, que eu também conheço já ha alguns anos, tocava no Destilaria do Groove e foi meu colega na faculdade de filosofia. E na batera o Gongom, baterista da Trupe Chá-de-Boldo e do Teatro Oficina, que também estudou comigo no Equipe. Enfim, todos eles muito bons músicos e principalmente amigos.



Como foi construído e escolhido o set list do projeto baseado nas composições do Nando?

O set-list teve como norte contemplar as músicas que o meu pai não estivesse tocando na atual turnê. Mesmo utilizando esse critério sobraram ainda muitos hits que as pessoas conhecem e sabem cantar. Procuramos também colocar uma ou outra faixa mais lado b, coisas que gostamos e que ele nunca consegue tocar nos shows por não serem assim tão famosas. Mas é claro, tem alguns clássicos que ele toca e que não teve como não incluirmos no repertório. Ficou um show bem bacana, está sendo muito agradável de tocar.



Qual o disco preferido para você do seu pai na carreira solo e no Titãs? Existe aquela música preferida do Nando para ti?

Olha, é difícil pois de certa maneira eu gosto muito de todos, cada um marca um momento de minha vida e me toca de forma única. O mesmo vale para as músicas. Mas nesse momento estou bem envolvido com o “12 de Janeiro”, primeiro disco solo do meu pai, pois estamos começando a levantar material pra fazer um relançamento comemorativo dele. Ontem mesmo estava ouvindo “A Menina e o Passarinho” uma música muito linda desse álbum, que tem influências de música caipira.



Coincidentemente é o primeiro show dos 2 Reis no interior? Justo aqui, ehehe ?

Pois é. Nossa família tem raízes em Jaú, meu avô nasceu aqui. Estamos muito felizes de fazer a estreia no interior “em casa”. Não poderia sem mais apropriado para o projeto: os filhos tocando as músicas do pai na cidade do avô.

Qual a lembrança  marcante que você tem de Jaú?

Fazenda Frei Galvão 

 Gosto muito de Jaú. Desde pequeno sempre vim pra cá, toda a minha memória foi moldada por essas paisagens. Meu bisavô fornecia leite pra cidade antigamente e ainda temos uma casa aí. Acho que a lembrança mais marcante é a da beleza dos campos, das construções antigas na cidade e na área rural e o cheiro da terra.

Me fale sobre o futuro dos 2 Reis? Existe algum projeto de som autoral para o grupo?

No repertório do show tem uma composição minha feita em parceria com o Marcelo Mira, cantor do Alma D’jem e parceiro de outras composições também. Aos poucos deveremos ir acrescentando outras músicas nossas, mas sem desvirtuar o projeto desse show que é fazer um trajeto pela história do meu pai. Pro ano que vem temos o desejo de gravar um EP, mas ainda estamos elaborando as ideias enquanto fazemos a turnê desse show. Começamos o 2 Reis pensando em montar uma apresentação e terminamos montando um show, uma banda e iniciando uma tour. Não sabemos bem ainda qual o futuro, mas está sendo muito boa a experiência, então acho que ela não para por aqui.



Theo, muito obrigado pela entrevista e para finalizar, o que Jaú pode esperar do show de sábado? 


Com certeza um show muito animado e com entrega total por parte da banda. Estamos mesmo muito felizes de fazer esse show e queremos dividir essa alegria com todos! Eu agradeço o convite e o espaço para a entrevista. Um abraço!